quarta-feira, 1 de abril de 2009

ANSIEDADE

Acordou cedo: seis da manhã. Nada mais animador do que o primeiro dia de trabalho no novo emprego, o qual, na ocasião, era em uma agência em um renomado banco nacional. Esqueceu-se até de ficar os costumeiros quinze minutos de trégua na cama até acordar completamente.

Nem bem havia clareado, já estava embaixo do chuveiro. Banho. Água. Sabonete. Xampu. Toalha. Enxuga-se. Sanitário (um ou dois?). Pia. Mãos lavadas. Escova de dente. Enxágua. Gargarejo. Pente e cabelo. Rádio ao fundo. Canta (desafinado!), mas parece saber dançar enrolado na toalha.

Cozinha: café da manhã. Café quente. Leite quente. Pão. Faca. Manteiga e requeijão. Engole às pressas. TV ligada. Telejornal. Sete da manhã. Não havia para quem desejar “bom dia” ainda, mas estava feliz.

Quarto: veste cueca e calça. Meias, sapatos. Camisa. Cinto. Gravata. Espelho. Pente de novo. Perfume. Maleta. Documentos. Carteira no bolso. Não podia esquecer: espelho de novo. Tudo certo? Rua! Sete e trinta.

Rua. Pessoas de um lado para o outro: São Paulo. Dizem que não para (agora sem acento!). Ônibus, carros, motos (realmente não para nunca!). A pé? Não, de ônibus (lotado, por sinal). Tinha de estar no trabalho às nove. Daria tempo. Estava empolgado demais. Sensação de ter esquecido alguma coisa. Faltava algo ou algo estava diferente? Não sabia. O importante era que estava a caminho. Duas, três, cinco paradas. Era a próxima. Entusiasmado que estava (não se cabia dentro de si), não percebeu que havia algo de estranho naquele dia. Mas para ele o que importava estava mais na frente. Parou. Desceu do ônibus. Eram dois quarteirões da parada à agência bancária. Caminhou pensando em como seria seu trabalho. Chegou.

Parou em frente à agência. Desapontou-se. “O que há de errado?”, pensou. Olhou para os lados. Respirou fundo. Um pedinte sentado à porta (fechada) do banco:

- Que foi, doutor? O banco não abre dia de domingo!

Adriano Melo

3 comentários:

Adrian Volts disse...

Muito legal, muito parecido comingo, fico tao ansioso que esqueco o dia certo :)

João Francisco Viégas disse...

Adoro contos.
Os bem escritos, ainda mais!
Muito bom!
Boa semana!

Alana Araújo disse...

Gostei desse e de outros textos. Se tiver um tempinho olha o meu imaturo blog
Obrigada, tio.