quinta-feira, 21 de agosto de 2008

POSSESSÃO

Sexta-feira. Faltava pouco menos de 15 minutos para meia-noite. Podia-se perceber naquele ambiente quatro figuras humanas. Três delas encapuzadas em cores distintas: preto, vermelho e roxo. No chão, amarrada e amordaçada, uma moça loira e bonita, a qual não deveria ter 18 anos. A moça estava ajoelhada no chão, curvada sobre suas coxas, com os braços amarrados para trás.

Os três encapuzados estavam entoando cânticos incompreensíveis. O de preto estava preparando o altar macabro, repleto de ícones demoníacos sobre os quais pairava um crucifixo de madeira invertido. O ambiente era iluminado apenas pelas velas fixadas no altar. O de roxo, após acender os três tripés dispostos no recinto de forma triangular e abastecê-los com ervas desconhecidas, traçava um círculo de três metros de diâmetro com sal, e dentro do círculo circunscreveu um pentagrama com uma ponta para o sul. O centro do círculo propositadamente era o centro do recinto. O encapuzado de vermelho, munido de um punhal, cortou o braço da moça, colhendo um pouco de sangue numa vasilha de barro. Podiam-se ouvir os gemidos e choro da moça amordaçada. Após colher o sangue, injetou-lhe uma substância que a faz desmaiar.

Estava tudo preparado. Os três sacerdotes do mal estavam de pé dentro do círculo feito de sal, enquanto a moça estava desacordada fora do círculo, diante o altar. Os magos iniciaram, em uníssono, um novo cântico. Em pouco tempo podia se ouvir o uivar do vento e as ervas dos tripés estalarem. Uma nuvem escura de fumaça começava a subir das velas, condensando-se sobre o altar. Subitamente a nuvem criou silhueta humana, materializando-se em frente ao altar. Parou diante da moça e adentrou em seu corpo pelas suas narinas. A moça levantou-se sorrindo malignamente. Abriu os olhos que antes eram azuis e naquele momento adquiriram um brilho amarelado e tornaram à cor natural. Fez um esforço e rompeu as cordas que prendiam seus pulsos e pernas. Os magos negros ajoelharam-se diante de seu mestre, hospedado no corpo da jovem moça. Mais um soldado anticristo foi resgatado das trevas e começou desde então a recrutar seu exército.

terça-feira, 1 de julho de 2008

CARTA DE UMA ALMA ERRANTE

Limbo, 02 de novembro de 1808.


Caro amigo,

Confesso-lhe o imenso incômodo que me tortura em estar lhe escrevendo esta epístola. Gostaria de lhe transmitir todas as minhas impressões, as quais, garanto-lhe, são por demais exóticas e dignas de observação e estudo.

No momento em que recobrei minha consciência, senti uma imensa dor de cabeça, procurei localizar-me e saber o que tinha me acontecido. O amigo não pode imaginar o impactante susto que tomei ao ver-me em um imenso cemitério; senti-me mergulhado em um gigantesco oceano de cruzes e tumbas, como se eu fosse uma ilhota cercada por esse oceano. Susto maior foi perceber, ao olhar-me, que estava completamente despido.

Não poderia ficar ali parado, então me pus a caminhar, quem sabe encontraria alguém que pudesse explicar o que me acontecera ou mesmo onde foram parar minhas vestes, visto que sempre gostei de vestir-me rica e elegantemente. Um homem em pleno século XIX não poderia estar andando sem roupas por aí. Andei por dezenas de metros e só o que via eram tumbas e tumbas, nem mesmo a muralha que delimita tão mórbido cenário não me era visível. Meu Deus, o que me aconteceu?

A cada passo que eu dava, sentia aquela terra escura e fofa a tragar meus pés. Aquele cenário de história de terror já estava me fazendo enlouquecer. Quão feliz me senti, meu amigo, ao avistar de longe uma figura humana, a qual eu não conseguia distinguir pela escuridão e distância. “Será o coveiro deste cemitério?”, perguntava-me enquanto caminhava confuso e meio ansioso em sua direção, mas no fundo não importava, o que eu queria era sair daquele lugar escuro e sem recursos para mim e daquela desconfortável situação. Ao aproximar-me, ainda sem poder vê-lo bem, perguntei:

- Senhor, onde estou? Será que o senhor, piedoso e majestoso como é, pode me ajudar? Há horas que caminho e não acho a saída deste terrível lugar...

- Idiota! – interrompeu-me subitamente – Não percebes que já morreste? Aqui não tem saída nenhuma.

- Como assim? Quem é o senhor? Por que estou assim sem roupas? Como...?

- Chega de perguntas! Não tenho tempo a perder com você, criatura insignificante...

Assustei-me e depois me veio um turbilhão de indagações ocultas que cessaram quando a densa nebulosidade permitiu-me olhar mais de perto aquela figura estranha e aparentemente insana. Amigo, gelei completamente quando olhei aquele ser mais de perto. Ele vestia um manto escuro com um capuz que o cobria por inteiro, mas o mais interessante e não menos terrificante foi quando procurei olhar seu rosto e no lugar onde ele deveria estar, eu só conseguia ver um vulto negro e vazio, parecia um buraco sem luz e sem fim no lugar da cabeça. Aquilo não era humano, tenho certeza... Corri. Corri o mais depressa que pude.

Passei dias e dias naquele infinito cemitério sem ninguém. Comecei a orar a Deus por sua misericórdia. O que fiz para merecer isso? Encontrei, tempos depois, algumas pessoas que pareciam tão perdidas quanto eu, desorientadas. Sabia que durante minha “vida” tinha feito muito mal a algumas pessoas, mas não achei que chegaria até onde cheguei. Agora confuso e despido, escrevo-lhe, amigo, para pedir-lhe que reze por minha alma condenada. É somente o que lhe peço.

Solidariedade, meu caro, por essa alma perdida.

Alma errante.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

MATURIDADE PRECOCE

Era dia de prova. Todos estavam sentados em suas carteiras, concentrados nos seus testes de final de semestre. Eu, também sentado, fiscalizava aquelas pequenas criaturas em seu processo de avaliação.

Em dado momento, um dos alunos presentes, do 5º ano, levantou-se e veio até onde eu estava e disse:

- Professor, já terminei a prova! – disse entregando-me o seu teste.

- Ótimo, pode sentar-se, Júnior*.

- Antes eu posso te fazer uma pergunta, Adriano? – ele me inquiriu com um ar de riso estampado no olhar.

- Faça! – respondi.

- Adriano, tu ‘tem’ namorada?

- Tenho, por quê?

- Ela é gostosa? – sorriu.

- Que pergunta, Júnior! Vá sentar! – disse encarando aquele garoto que não devia ter mais de 11 anos.

- Adriano, tu ‘quer’ bem dizer que tu nunca ‘deu’ um trato nela?

- O que é “dar um trato”, Júnior? – indaguei maliciosamente.

- Tu ‘sabe’... Ou tu nunca ‘tratou’ uma mulher?

- Sim, sempre as trato bem, com o devido respeito, coisa que você deveria estar fazendo agora...

- Adriano, tu ‘entendeu’ o que eu disse... “Tratar uma mulher”, “pegar ela de jeito”, “dar um amasso”, sabe, né?

- Quem ensinou isso a você, Júnior?

- Meu pai! Ele me ensina tudo sobre mulheres, diz que tenho que ser igualzinho a ele. Ele tem minha mãe e mais três namoradas. Já me ensinou tudo como tem que se fazer com uma mulher.

- Acho que faltou lhe ensinar o principal... Vá sentar, depois conversamos.

Ele saiu com um sorriso de deboche no rosto e eu fiquei estupefato sentado no meu lugar e matutando com aquela situação inusitada. Que menino precoce! No mesmo instante lembrei-me de que aos 11 anos, eu brincava na rua e não pensava em mais outra coisa a não ser em estudo e em brincadeiras. Namorar? Nem pensar!

Semanas depois esse mesmo aluno veio me oferecer um vídeo que ele estava “vendendo” via Bluetooth no celular. O vídeo era da irmã dele, de 15 anos, trocando de roupa. Ele estava oferecendo o “produto” por 30 reais aos colegas. Muitos haviam comprado. Mais uma vez ele conseguiu me surpreender. Será que os pais sabiam daquilo? Comuniquei o fato à coordenação para que tomasse as devidas providências. No dia seguinte, soube que o pai não o tinha punido e que achou engraçado ele vender o vídeo da irmã nua.

Nessa mesma semana, ele veio dizer que estava namorando. Por alguma razão ele confiava em mim para contar seus casos. Eu ouvia a tudo e dava meus conselhos, os quais - tenho certeza - não eram escutados, pois a voz altiva e viril do pai, sobressaía-se em seus ouvidos, fato normal, pois os filhos são educados a ouvirem seus pais, eles estando certos ou não. Mas quem era eu para interferir na educação que o pai dava a Júnior? Senti que o melhor era silenciar.

- Estou namorando a Samanta do 4º ano. Ela é a maior gatinha da sala! Sabe o que eu fiz?

- O quê, Júnior? – perguntei com receio do que eu iria ouvir, esperando algo pior do que já ouvira antes.

- Eu me filmei no meu celular “batendo uma” para ela e enviei pro celular dela... – ele ria alegremente como se tivesse dado o melhor presente do Dia dos Namorados.

Essa foi demais! Fiquei sem reação e não pude deixar de perguntar:

- E o que ela disse?

- Ela adorou, mas teve que apagar do celular, porque a mãe dela poderia ver... Chato, né?

Se antes fiquei sem reação, com essa última resposta paralisei totalmente. Quais os valores que essas crianças estão adquirindo? Como duas crianças com cerca de 10 anos de idade podem ter esses pensamentos lascivos tão presentes em suas cabeças “pueris”? Ou será que eu é que estou sendo quadrado e antiquado diante da nova juventude?

Ei, mas eu não sou tão velho assim! Tenho 22 anos, beirando os 23 e vivo toda a modernidade dos dias atuais. Sou “antenado” à internet, tenho celular de última geração, namoro, enfim, faço tudo o que uma pessoa normal da minha idade faz. Acho que o fator normalidade é que está “pegando” neste caso. Júnior tem um instrutor que para ele é um modelo a ser seguido, um homem preconceituoso e viril, o típico “machão”: seu pai. Que lamentável! A única pergunta que faço (novamente) é: onde vamos parar?

Concordo que as crianças devem ter um pouco de maturidade, mas tudo dentro do limite, sem esquecer que são crianças. Calvin, personagem de “Calvin e Hobbes”, criado por Bill Watterson, é um garotinho extremamente precoce e que sempre usa da prolixidade para expressar suas idéias de cunho moral. Essa sim é a maturidade que vale a pena as crianças terem e que muitos adultos estão precisando, não apenas o pai do Júnior.

*O nome do aluno é fictício, porém o fato é real.

domingo, 8 de junho de 2008

PAIXÃO NO SENTIDO FIGURADO

Sinto que há uma grande elipse dentro de mim, algo que sei que está faltando... Causada talvez pela distância que nos separa. Saudade é o nome que dão a ela por aí. E seria um pleonasmo (vicioso ou não?) dizer que te quero e não usarei de nenhuma hipérbole para dizer que, sem você, eu perderia meu brilho. Entenda isso como um eufemismo para figurar que não vivo sem você, ou melhor, vivo sim, mas não quero!

Viajo em meus pensamentos sempre que vejo seu doce sorriso, o qual é acompanhado de um olhar sedutor e gentil, e ele me convida a sorrir com você. Sinestesia? Prosopopéia? Não, não... Prefiro chamar isso de sintonia.

E a metonímia de dizer que quero sua presença não é suficiente, pois sua presença é apenas uma parte de você, não mataria essa sede. Metáfora? Catacrese? Também não... Prefiro chamar isso de vício. E esse vício me inebria a tal ponto que, quando em sua presença, sucumbo diante de uma crise de anacolutos os quais não me deixam verbalizar o que quero. E olha que nem pretendo ser prolixo!

Sou somente seu...”: meu professor de Literatura chama isso de aliteração. Eu não. Eu chamo de paixão. Em virtude disso, prefiro ser irônico e dizer que você é apenas mais uma pessoa não merecedora de qualquer antonomásia.

Adoro teu sorriso

Adoro teu olhar

Adoro teu jeito...”

E sigo a escrever por repetidas anáforas (pleonasmo de novo?) o quanto você é adorável. E encerro dizendo que todos os apaixonados pensamos bobagens. Eu sei... Sei que usei uma silepse, mas não sei se de gênero, de número ou de pessoa, mas vou perguntar a meu professor para acabar com essa metalinguagem que me consome...

A.A.M.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Conto de uma obsessão infantil


Conto de uma obsessão infantil

Marta já não sabia mais o que fazer. Desde que se mudou, sua filha de seis aninhos, Clarinha, não queria dormir só, vivia assombrada. Clarinha tinha um sono leve e perturbado por pesadelos nos quais ela se via morrendo afogada, empurrada por outra criança na piscina de sua casa.

A mãe era só preocupação. O pior era que, além dos pesadelos, Clarinha já afirmava ver a menina do pesadelo quando estava acordada. Isso aconteceu poucas vezes, mas o suficiente para tornar a menina uma criança apática e chorosa. Onde estava a alegria d’antes de Clara? Era o que sua mãe se perguntava constantemente. Marta conversara com Otávio, seu esposo, sobre o problema da filha e ambos concordaram que aquilo já havia ultrapassado o limite da normalidade.

Marta, certo dia, deixou sua pequena brincando na sala enquanto preparava o almoço. De súbito, ouve um grito agudo e apavorado. Era sua filha. Correu rapidamente até a sala largando tudo que estava fazendo na cozinha.. Quando chegou na sala, a menina estava desmaiada. Marta correu para socorrê-la como por instinto e pôs a menina no colo. Algo, porém, deixou a mãe intrigada e fê-la arrepiar-se da cabeça aos pés: Juca, o poodle de estimação da família, latia feroz e insistentemente olhando para um canto vazio da parede da sala, como se tivesse alguém ali. Clarinha acordou. Graças a Deus! Juca cessou seu latido e correu aos pés da dona.

- Mamãe, eu vi, ela ‘tava’ aqui!

Otávio e Marta acharam por bem levar a menina a um especialista. A garota fez alguns exames e sessões psiquiátricas. O médico constatou uma leve esquizofrenia em desenvolvimento.

Passaram-se semanas e nada mudou, a não ser Clara, que vinha definhando a cada dia, cada vez mais pálida e triste. Os pais estavam começando a achar que tinham “perdido” sua filha. Dentro da família, normalmente, a criança desempenha o papel de alegria da casa. Os pais não viam Clarinha sorrir há cerca de dois meses. Também já não freqüentava mais a escola. As visões e pesadelos da menina só aumentavam.

A família foi convidada para o aniversário do filho do casal vizinho. Otávio achou que o contato com outras crianças pudesse ajudar Clarinha. Na festa, os adultos confraternizavam enquanto as crianças divertiam-se na piscina, menos Clarinha, que olhava para tudo marginal e apaticamente. Ana, a vizinha, em determinado momento perguntou a Marta se eles já haviam se adaptado à nova casa. A vizinha mencionou o quão triste foram os últimos meses para eles devido a um fato trágico: o filho mais velho de oito anos, numa briga com a irmã, de seis anos, empurrou a menina na piscina. Era tarde demais quando ele se deu por conta do que havia feito à irmã, ele não sabia nadar e chorou desesperadamente por socorro, mas a irmã morreu afogada. A vizinha contava sua triste história com o olhar umedecido. Uma lágrima caiu ao lembrar do sorriso da filha que morrera.

Marta e Otávio entreolharam-se assustados. Seria possível Clarinha estar tendo algum tipo de comunicação com essa menina ou mesmo estar sendo influenciada pelo espírito da criança morta? Apesar de católicos, não eram céticos, já ouviram falar de casos semelhantes de influências espirituais negativas. Nesse instante, ouviu-se uma gritaria. As crianças agitaram-se e os pais, de longe, pensaram: “É só mais uma briguinha de crianças” e logo se ouviram as crianças gritando: “Papai, papai, ele caiu! Ele caiu!” Otávio, num impulso, correu até lá e, quando chegou, viu Clara com aquele olhar parado e distante olhando para o aniversariante que se afogava na parte funda da piscina. “Foi ela!” – as outras crianças apontavam para Clara. Otávio se jogou na piscina e salvou o garoto a tempo.

Marta e Otávio foram para casa puxando Clara pelo braço. Eles estavam envergonhados e assustados demais. A menina não manifestou nenhuma reação desde o ocorrido, parecia mais um pequeno zumbi. O que eles poderiam fazer contra o espírito vingativo de uma criança? Somente rezar.

DA REGÊNCIA DO VERBO “FICAR”




Outro dia, estava eu a refletir sobre como as pessoas se conhecem, simpatizam-se, namoram e se casam. Antigamente não era bem assim. Minha avó contava que os casamentos eram arranjados: não se escolhia o marido ou esposa, aceitava-se, simplesmente, a vontade dos pais.

As coisas foram mudando com o passar do tempo. Na época de meus pais, já se paquerava. Rolava todo aquele lance de olhares, gestos, piscadelas e por aí ia. Eu até soube que meus pais namoraram escondidos e que casaram às pressas, pois minha mãe engravidou antes do casório. Coisa normal hoje em dia, mas naquela época... Meu avô ficou muito bravo e os obrigou a casar. O casamento perdurou até o falecimento dela, coisa não tão normal hoje em dia.

Já na época dos meus irmãos mais velhos, tudo mudou um pouco. Já se “agarravam” sem compromisso, rolavam aqueles beijos sem que ninguém soubesse. E, quando meus pais descobriram, era surra na certa! Minha irmã ficou muito de castigo, a coitadinha! Mas aqueles beijos deles, na maioria das vezes, acabavam em namoro, mas não como o namoro da época de meus avós, que terminavam certamente em casamento. Era um namoro passageiro, muito gostoso, mas que poderia dar em casamento também, dependeria deles.

Já na minha adolescência, deu-se um novo sentido ao verbo FICAR: “namorar” sem compromisso por uma noite, ou ainda apenas transar. É uma desculpa que as pessoas solteiras criam para não ficarem sozinhas e, ao mesmo tempo, saciarem sua carência, sempre que puderem, com pessoas diferentes. E para onde vai o sentimento nesse caso? O mais comum atualmente é que os namoros se iniciem a partir de simples “ficas”. Quando percebem que o seu (sua) “ficante” são legais demais para ficarem apenas por uma noite, eles “ficam” mais vezes, tornando, assim, um ato fugaz num gostoso “rolo”. E como é bom estar enrolado a alguém!

Já vejo com olhos preocupados meus sobrinhos. O que o tempo preparou para a geração deles? O “ficar” continua vigorando em meio às rodinhas de amigos. Quem nunca “ficou”? Nossa! Existe alguém que nunca tenha dado uns beijinhos sem compromisso? Mas o que é realmente preocupante são os valores pregados a essas comunidades mais jovens. Esses valores - morais - têm se tornado obsoletos, as pessoas são quase que usadas, seja para uma inocente noite de namorico, seja para uma transa. Não deveria ser assim, pessoas não devem ser tratadas como objetos. É bom “ficar”, mas com certeza ter alguém para partilhar bons e maus momentos, confidenciar, respeitar, amar... Gente, amar e ser amado não tem preço!

O ideal seria se pudéssemos aproveitar um pouquinho de cada geração: o respeito da época de nossos avós; a malícia inocente da época de nossos pais; a ousadia pueril da época dos irmãos mais velhos e a carência afetiva de nossa época. O que teremos no porvir? Só podemos esperar para ver...

(Dedico esse texto aos meus sobrinhos: Adrielle, Edaine, Rafaela, Roberta, Arllan, Lucídio Jr., Elias Neto, Maria Antônia, Jamile, Mariana, Davi, Átila Jr. e Vinícius.)